Resultado foi divulgado nesta quarta-feira (1º) pelo Hospital Samaritano.No sábado (28), político foi submetido a cirurgia que durou oito horas.
Câncer de Roberto Jefferson é maligno (Foto: G1)
O tumor no pâncreas do presidente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), o advogado Roberto Jefferson Monteiro Francisco, de 59 anos, é maligno. A informação foi dada nesta quarta-feira (1º) pela assessoria do Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
De acordo com o boletim médico divulgado pelo hospital nesta quarta,
Roberto Jefferson "se alimenta por sonda intestinal, está lúcido,
respira sem a ajuda de aparelhos e os sinais vitais estão mantidos.
Todas as medicações já foram suspensas, inclusive as venosas".
Ainda segundo o Hospital Samaritano, "o resultado preliminar do
material cirúrgico, realizado pelo patologista Wilhermo Torres, foi de
tumor papilar mucinoso ductal, com displasia de baixo grau. O exame
definitivo da peça operatória diagnosticou, além da displasia, um foco
maligno de tamanho inferior a 2 cm, com a ausência de comprometimento
dos linfonodos (gânglios), configurando o estágio mais inicial da
doença".
Câncer de pâncreas
De acordo com o médico oncologista Antônio Luiz de Vasconcellos Macedo,
do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, o tumor detectado
em Roberto Jefferson é o estágio 1 do câncer de pâncreas, em uma escala
de 0 a 4. Macedo afirma que o tumor papilar mucinoso ductal é
“extremamente frequente, com uma porcentagem alta de cura quando
detectado na fase inicial”.
Especializado em cirurgia no pâncreas, vias biliares e fígado no Albert
Einstein, Macedo explica que há casos de pessoas que foram operadas
deste tipo de câncer há mais de 20 anos. “O procedimento cirúrgico tem
mortalidade de 2% e as pessoas que passam por ele recebem alta perto do
oitavo ou nono dia de internação”, explica.
O oncologista disse ainda que, em alguns casos, não há necessidade de
reforçar o tratamento com sessões de quimioterapia. “Basta cirurgia e
acompanhamento clínico, se o câncer não tiver afetado os gânglios
[linfonodos] ou causado metástase”.
Jefferson não tem previsão de alta médica e só está recebendo visitas da família.
Jefferson não tem previsão de alta médica e só está recebendo visitas da família.
Na quinta-feira (2), os médicos do presidente do PTB vão dar uma
coletiva de imprensa, informando o tratamento ao qual o paciente será
submetido.
Cirurgia
No sábado (28), Roberto Jefferson foi submetido à cirurgia de
gastroduodenopancreatectomia cefálica (retirada de parte do estômago,
parte do pâncreas, duodeno e parte do canal biliar). Além disso, os
médicos retiraram os lifonodos regionais (gânglios linfáticos). O
boletim divulgado após a cirurgia que durou oito horas, informava que não havia sinais de que o tumor seria maligno. No entanto, os médicos ressaltaram que seria necessário aguardar o resultado definitivo.
Jefferson, que denunciou o esquema do mensalão no Congresso Nacional,
no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chegou
ao Hospital Samaritano por volta das 8h de quinta-feira (26). Na
sexta-feira (27), o político passou por procedimentos pré-operatórios,
como cuidados com alimentação e exames clínicos.
Réu no mensalãoJefferson é um dos 38 réus do
julgamento do mensalão programado para ter início no dia 2 de agosto, no
Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é acusado pela Procuradoria-Geral
da República (PGR) de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por,
supostamente, ter recebido R$ 4 milhões do chamado “valerioduto”, que,
segundo a denúncia, era operado por Marcos Valério e abastecia
parlamentares aliados ao governo.
Em 2005, em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, Jefferson relatou o
“modus operandi” do mensalão, detonando o maior escândalo político do
governo Lula (2003-2010).
Luiz Francisco Corrêa Barbosa, advogado do ex-deputado, cassado em
2005, pretende sustentar diante dos 11 ministros do STF que, mesmo que
Lula não tivesse conhecimento sobre o suposto pagamento de propina a
parlamentares em troca de apoio político no Congresso, ele deveria ter
sido responsabilizado criminalmente pela existência do mensalão.

