Os relatores responsáveis por avaliar a relação dos deputados Rubens Otoni (PT-GO), Sandes Júnior (PP-GO) e Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) com Carlinhos Cachoeira sinalizam para o arquivamento das investigações, o que eliminaria a abertura de um processo por quebra de decoro no Conselho de Ética da Câmara contra os três.
A informação é da reportagem de Erich Decat e publicada na edição deste sábado da Folha (a íntegra da reportagem está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
Os deputados são investigados por envolvimento com esquema de Carlinhos Cachoeira.
CPI
Na última quinta-feira (17), a CPI do Cachoeira livrou governadores e
parlamentares da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico e de
serem convocados a explicar suas relações com Carlinhos Cachoeira.
A empreiteira Delta, apontada pela Polícia Federal como braço financeiro
do esquema, e o presidente licenciado da empreiteira, Fernando
Cavendish, também não terão seus sigilos quebrados nacionalmente.
Os deputados e senadores aprovaram apenas a quebra do sigilo da empresa
Delta na região Centro-Oeste, além dos sigilos de pessoas sem foro
privilegiado que assessoravam Cachoeira e já foram investigadas pela
Polícia Federal, conforme antecipou a Folha na edição de hoje.
PIZZA
A Folha apurou que antes da votação foi feito um acordão entre
caciques do PT, PMDB e PSDB para poupar os governadores Marconi Perillo
(PSDB-GO), Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) de terem
seus sigilos quebrados. No pacote dos governistas entrou ainda a
preservação da Delta nacionalmente, que tem obras com o governo federal.
O relator e deputados do PT e PMDB se negam um acordão para poupar
alguns das investigações.
O que provocou maior polêmica foi a decisão do comando da CPI de não
quebrar os sigilos da Delta em todo o país. O relator e parlamentares do
PT e PMDB afirmaram que não existem indícios contra a atuação da
empresa em todo o país, o que gerou protestos.
Sem a quebra dos sigilos, as investigações devem ficar restritas ao que
já foi apurado pela Polícia Federal sobre os membros do grupo de
Cachoeira, sem avançar para os pontos não apurados pela PF por
envolverem políticos, que têm direito ao foro privilegiado.
A PF também
não investigou a Delta porque seu trabalho era voltado para Cachoeira.
Folha.com
