Sumiço aconteceu em janeiro de 2011, mas só agora polícia entrou no caso.Comissão interna que apurou sumiço sugeriu arquivamento de investigação.
O desaparecimento foi investigado por uma comissão interna da Casa da
Moeda e ficou guardado em segredo por mais de um ano pela presidência da
instituição. Sem descobrir onde foi parar o dinheiro sumido e sem ter
certeza do que aconteceu no dia do desaparecimento, a comissão acabou
sugerindo, em dezembro, o arquivamento do caso.
"A exteriorização do episódio", diz o relatório final, "ecoa de forma
negativa junto à sociedade, arranhando com certeza a imagem de empresa
segura". Só agora, oito meses depois de a investigação ter terminado, a
presidência da Casa da Moeda decidiu comunicar o caso à Polícia Federal.
O delegado que vai investigar o caso diz que a Casa da Moeda errou ao não informar o caso à Polícia Federal imediatamente.
“Eu considero um equívoco. Tomou conhecimento do fato, comunica à
Polícia Federal para instaurar o procedimento criminal, inquérito
policial”, diz o delegado Victor Hugo Poubel.
A Polícia Federal, agora, vai investigar se ocorreram outros desvios.
O superintendente da Diretoria de Administracao e Financas da Casa da
Moeda, Álvaro de Oliveira Soares, que já ocupava o cargo quando as notas
sumiram, acredita que a quantidade de cédulas desaparecidas foi
pequena. E que o processo é seguro.
“O controle existe. Tanto que nós estamos falando de 100 cédulas em 4
bilhões, que é o programa anual desse ano. Se você tem um controle que
detecta o desaparecimento de 100 cédulas num volume desses significa que
você tem um controle e que esse controle é efetivo”, acredita Álvaro de
Oliveira Soares.
Mas Soares diz que não é aceitável que se perca nem uma cédula sequer. “Não é aceitável perder nenhuma, mas acontece, e se acontece tem que ser apurado”, afirma Álvaro, sem saber dizer onde estão as notas.
Mas Soares diz que não é aceitável que se perca nem uma cédula sequer. “Não é aceitável perder nenhuma, mas acontece, e se acontece tem que ser apurado”, afirma Álvaro, sem saber dizer onde estão as notas.
O delegado Victor Poubel explicou que houve crime. “Fica solidamente
provado que realmente houve a subtração e a prática do crime. Essa é a
prova que a Polícia Federal precisa”, afirmou. “Alguém subtraiu.
Dinheiro não tem asa”, acrescentou.
O Banco Central, responsável por botar o dinheiro em circulação,
informou que essas notas são válidas. Quem tem uma dessas cédulas não
cometeu crime e ainda pode ajudar nas investigações.
As notas de R$ 50 desaparecidas estão entre os números de série BA
27.787.201 e BA 27.787.300. Confira a numeração das cédulas que sumiram
no site do Fantástico.
Descoberta por acaso
A Casa da Moeda fica no bairro de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro,
onde nascem os bilhões de reais que circulam todos os dias no país.
Ninguém entra no local sem passar por um rigoroso sistema de revista.
O Fantástico teve acesso exclusivo aos documentos da comissão interna que investigou o desaparecimento das notas.
O sumiço do dinheiro foi descoberto por acaso. No dia 15 de janeiro de
2011, a funcionária responsável pelo controle de qualidade de impressão
percebeu que, em uma folha, havia um pequeno defeito. Um gerente
decidiu, então, verificar se outros lotes impressos no mesmo dia estavam
com o mesmo problema.
Ele entrou no local que deveria ser o mais seguro do prédio: o cofre
onde fica o dinheiro pronto para ser enviado ao Banco Central. Ao
verificar os lotes, que são numerados e lacrados com plástico, encontrou
um dos pacotes abertos. Ao conferir o conteúdo, o gerente percebeu que,
em vez das mil notas que deveriam estar ali, havia somente 900. Ou
seja: 100 cédulas de R$ 50 tinham desaparecido.
Quando as imagens do circuito interno de segurança foram revisadas,
veio a descoberta de uma falha grave: a câmera número 3, que mostra o
setor de embalagem de notas já prontas, não cobria toda a área. Ou seja:
havia um ponto cego, um lugar onde alguém poderia estar sem ser
detectado pelas câmeras.
Segundo a comissão de investigação da Casa da Moeda, foi exatamente o que fez um dos operadores de máquinas.
Luz vermelha na linha de produção
O operador trabalhava em uma máquina seladora, que lacra o lote de
dinheiro com uma embalagem plástica. Às 14h45 do dia 14 de janeiro de
2011, uma luz vermelha se acendeu na linha de produção, indicando algum
problema de qualidade.
Nesse momento, o funcionário pegou o lote de dinheiro, ainda sem estar
lacrado, e saiu do alcance da câmera, voltando em seguida. Enquanto
isso, outro lote foi reposto na esteira por uma funcionária. Um
procedimento normal, para dar continuidade à produção.
O operador, então, aparece fazendo a conferência das notas que retirou.
Ele devolve o lote para a máquina de embalagem, que lacra as cédulas.
Em seguida, uma outra funcionária, responsável por encaixar proteções
de papelão nos pacotes de dinheiro, percebe algo estranho no lote
manuseado pelo operador.
Ainda segundo o relatório da comissão de investigação, o operador se
aproxima da funcionária e diz algo. A mulher, então, libera o dinheiro
para o cofre.
No dia seguinte, quando o sumiço já tinha sido descoberto, os funcionários pararam a produção e fizeram um pente-fino para tentar achar o dinheiro. Máquinas de impressão foram desmontadas.
No dia seguinte, quando o sumiço já tinha sido descoberto, os funcionários pararam a produção e fizeram um pente-fino para tentar achar o dinheiro. Máquinas de impressão foram desmontadas.
Segundo a direção da Casa da Moeda, o lote de onde sumiram as cédulas só foi manuseado pelo operador da máquina seladora.
Ele disse à comissão que "não tem ideia do que possa ter acontecido".
Ele disse à comissão que "não tem ideia do que possa ter acontecido".
Já a funcionária contou que "não se lembra do teor da conversa que teve
com o operador" e que pode ter sido algo sobre algum problema no
empacotamento das notas.
As ações do gerente também chamaram a atenção da comissão, porque, ao
abrir o lote onde faltavam as notas, ele destruiu o lacre que tinha o
nome de quem fechou pela última vez o pacote de dinheiro.
Na época em que o dinheiro sumiu, a instituição estava modernizando as linhas de produção.
Segundo o texto do relatório, os funcionários não davam conta do trabalho e, por isso, havia até cédulas inacabadas, impressas pela metade, se acumulando no meio da gráfica. Várias eram guardadas até em sacos de lixo.
Segundo o texto do relatório, os funcionários não davam conta do trabalho e, por isso, havia até cédulas inacabadas, impressas pela metade, se acumulando no meio da gráfica. Várias eram guardadas até em sacos de lixo.
O presidente da Casa da Moeda na época era Luiz Felipe Denucci. O
afastamento dele da instituição nada tem a ver com o sumiço das notas.
Denucci foi exonerado do cargo, em janeiro, depois de denúncias de que
teria recebido propina de fornecedores da Casa da Moeda através de
empresas no exterior.
Depois que máquinas lacram o dinheiro produzido, a Casa da Moeda envia
os lotes de cédulas para o Banco Central. De lá, o dinheiro é
distribuído para os bancos comerciais. Como o Banco Central não conta
novamente os pacotes recebidos, a falta de pequenas quantias só seria
percebida nas agências do varejo bancário.
Do G1 RJ, com informações do Fantástico
