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| (Imagem Beo Macário/UOL) |
Moradores de municípios afetados pela seca no Nordeste se encheram de esperança com a chegada da chuva, que, segundo registros pluviométricos, cai desde a última segunda-feira (21) em várias regiões de pelo menos sete Estados nordestinos.
Segundo informações do Laboratório de Análise e Processamento de
Imagens de Satélite (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas, foram
registradas chuvas em Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio
Grande do Norte e Ceará.
Em alguns casos, como do município de Luís Gomes, no extremo oeste do
sertão do Rio Grande do Norte, a chuva nos últimos dias atingiu 38
milímetros (equivalente a 38 litros por m²) e foi o suficiente para
animar os agricultores, que já começaram a preparar a terra para o
plantio de feijão e milho.
Municípios em emergência
| Bahia | 242 |
| Paraíba | 170 |
| Rio Grande do Norte | 139 |
| Piauí | 122 |
| Pernambuco | 100 |
| Ceará | 69 |
| Alagoas | 36 |
| Sergipe | 18 |
| Maranhão | 11 |
Mas a alegria do sertanejo pode durar pouco, já que as precipitações
foram consideradas isoladas e não devem permanecer nos próximos dias. “O
período chuvoso no sertão --de fevereiro a maio— já acabou. O que
ocorreu no semiárido foram chuvas isoladas, não resolvem o problema da
seca hídrica, que já está confirmada. Ela não pode ser revertida, só ter
os efeitos mitigados”, disse o coordenador do Lapis, Humberto Barbosa.
“Não tem como, este ano, recuperar o armazenamento hídrico nos açudes. O
que vão ocorrer agora são as chuvas no litoral. Em junho, julho e
agosto teremos perturbações que vêm da África, que podem afetar o
litoral”, informou Barbosa.
Segundo o professor, as condições climáticas do oceano Atlântico estão
ajudando a cair chuva na região, visto os alagamento registrados em
capitais como Salvador e Natal.
“A ocorrência de chuvas isoladas foi associada principalmente à
instabilidade gerada pela passagem de uma frente fria na região sul do
Estado da Bahia. Além disso, nota-se o aquecimento das temperaturas da
superfície do mar (acima de 26 graus) sobre o litoral, que por sua vez
intensifica a quantidade de umidade sobre esta região, favorecendo a
formação de nuvens e precipitação”, disse.
O número de municípios que decretaram situação de emergência por conta
da seca que castiga o Nordeste continua crescendo. Com os novos decretos
publicados esta semana, a região passou a ter mais da metade das
cidades nos nove Estados reconhecidamente atingidas pela estiagem
prolongada.
Segundo levantamento realizado pelo UOL com as defesas civis estaduais,
até a terça-feira (22), 907 dos 1.794 municípios nordestinos já tinham
confirmado o estado de emergência, o que representa 50,5% do total de
cidades. O número ainda pode crescer, já que alguns Estados ainda estão
recebendo decretos das prefeituras. Segundo moradores ouvidos pelo UOL
durante visita às cidades mais afetadas da região, a seca deste ano
seria uma das maiores da história.
Contudo, segundo o meteorologista e coordenador do Laboratório de
Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal
de Alagoas (Ufal), Humberto Barbosa, a mensuração exata do tamanho da
seca não é possível de ser realizada.
Ele diz que há uma série de fatores e dados que têm de ser levados em
conta. Além disso, a estiagem registrada este ano ainda não teve seu
ciclo encerrado. Governos estaduais citam que é a pior estiagem em ao
menos 30 anos.
Mapa da chuva
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Imagem de satélite mostra em azul locais onde houve chuva em Estados do Nordeste
Um documento enviado nesta terça-feira (22) aos governadores e à
presidente Dilma Rousseff, elaborado pela ASA (Articulação do Semiárido)
--que reúne cerca de 750 entidades do sertão nordestino--, diz que o
momento enfrentado pelo Nordeste é “extremamente grave” e que a estiagem
deverá se prolongar até 2013.
“Desde o ano passado não chove o suficiente para acumular água nas
cisternas para consumo da família e para a produção. O quadro atual é
grave! Há que se priorizar o socorro imediato às famílias que estão sem
água, mas há a mesma urgência em investir em ações estruturantes para
que essas famílias possam enfrentar os períodos de longa estiagem,
cíclicos e previsíveis, sem passar fome ou sede”, alega a ASA, cobrando
ações de convivência do sertanejo com a estiagem e políticas públicas
que minimizem os tradicionais ganhos da “indústria da seca”.
Do UOL, em Maceió
