O lance mínimo definido para a compra dos quadros é de R$ 350.
Dinheiro será usado para família alugar uma casa e recomeçar a vida.
Segundo a viúva Dayse França, estão no acervo a ser leiloado as últimas
obras do marido sob posse da família. As telas disponibilizadas para
leilão foram pintadas na época em que ele estava preso em Tremembé, e estão guardadas no Vale do Paraíba na casa de parentes.
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| Obra
do ex-policial militar Florisvaldo de Oliveira; ele assinava as obras com o apelido de infância que o tornou nacionalmente conhecido anos mais tarde. (Foto: Dayse França) |
Dayse, que mudou de Estado após o assassinato do marido, contou ao G1 que lamenta ter que vender as obras, mas que esta foi uma das formas encontradas para recomeçar a vida.
"Mudei com a minha família e estamos todos desempregados, morando na
casa de parentes. Espero que a venda dos quadros nos ajude a ter um
recomeço, um novo rumo para a vida", afirmou.
Ela contou que uma das obras, a única que não vai a leilão, será
guardada como lembrança do marido e de uma das coisas que ele mais
gostava de fazer nos últimos anos - se dedicar à pintura. "Quando ele
morreu e eu deixei a casa onde vivia, fui embalar as telas e encontrei
um bilhete em que ele dizia que quando pintava se sentia um homem livre.
Chorei muito", revelou.
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| Uma das obras do ex-PM, morto em setembro no Vale do Paraíba. (Foto: Dayse França) |
Florisvaldo de Olveira era autoditada e aprendeu a pintar quadros em 1996, quando ficou preso na Casa de Custódia de Taubaté. Os quadros eram vendidos para detentos e parentes de presos.
Na época, o preço das telas de Cabo Bruno chegava a custar R$ 500. As pinturas feitas mostram paisagens, natureza morta e grande parte foi inspirada em telas de pintores famosos como Tarsila do Amaral e Pablo Picasso.
As telas já foram compradas por promotores, juízes e presos famosos, como o ex-controlador do Banco Santos Edemar Cid Ferreira, que também esteve preso na P2 - local onde o ex-PM passou os últimos anos de reclusão - em 2006. Cid era acusado de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Morte de Cabo Bruno
Conhecido por chefiar um esquadrão da morte que atuava na periferia de São Paulo na década de 1980, Cabo Bruno foi assassinado quando saia do carro em frente a casa que morava há 35 dias, desde que havia ganhado a liberdade.
Ele ficou preso 27 anos, sendo 10 anos na penitenciária Doutor José
Augusto César Salgado, a P2 de Tremembé acusado de 10 homicídios, uma
tentativa de homicídio e um roubo. Ele era suspeito de cometer mais de
50 assassinatos. Ao todo, três equipes da polícia investigam a morte.


