sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Hospital Dante Pazzanese realiza cirurgia revolucionária no mundo

Click Monteiro | 19:40 |
Hospital Dante Pazzanese
O uso comercial do suporte cardiovascular bioabsorvível já é aprovado em vários países, mas, no Brasil, a técnica somente é autorizada no âmbito da pesquisa médica. A cirurgia realizada nesta quarta-feira (24/10), em um paciente de 33 anos com um grave quadro de colesterol alto, faz parte de um estudo mundial sobre o dispositivo que está sendo desenvolvido em outros 25 países sob a coordenação de Abizaid (em primeiro plano, na foto acima).

"Estamos expandindo o dispositivo para lesões e anatomias mais delicadas. A cirurgia foi um sucesso, uma manifestação pública de que estamos autorizados a implantar o stent bioabsorvível em situações mais complexas", disse o médico ao site de VEJA.

Um dia antes da operação no Hospital Dante Pazzanese (na foto em destaque), foram divulgados os resultados dos exames de saúde em 500 pacientes que haviam recebido o dispositivo bioabsorvível há seis meses e de 250 que haviam recebido o suporte há um ano.

"Foi relatada uma incidência muito baixa de eventos cardíacos, confirmando os dados de estudos anteriores. O retorno da lesão ficou abaixo de 2%, uma taxa praticamente desprezível, e cerca de 0,05% dos pacientes apresentaram trombose. Os dados nos dão ainda mais segurança para tratar pacientes mais complexos", diz Abizaid.

Os resultados dos trabalhos, segundo o cardiologista, precisam ser submetidos a uma série de entidades médicas, entre elas Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para que o dispositivo bioabsorvível seja comercializado no Brasil.

Ele acredita que isso ocorra até o final de 2013 e que o implante tenha valores semelhantes aos metálicos farmacológicos — algo entre 6.000 e 8.000 reais. Os stents farmacológicos utilizados hoje são cobertos pelos planos da saúde, mas não são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Padrão

Embora o stent bioabsorvível tenha muitas vantagens sobre os metálicos farmacológicos, Abizaid acredita que os dispositivos utilizados atualmente não deixarão de existir conforme o novo suporte for ganhando espaço na prática médica.

"Há algumas situações em que os stens metálicos ainda são melhores, especialmente em casos de operação em vasos muito pequenos e tortuosos. Isso porque os dispositivos metálicos ainda são muito mais finos do que os bioabsorviveis", disse o cardiologista.

No entanto, ele acredita que, com o tempo, os bioabsorvíveis se tornarão uso padrão em grande parte dos casos, especialmente em pacientes mais jovens ou com problemas de saúde, como o diabetes, que fazem com que a doença progrida muito mais rápido.

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