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| Hospital Dante Pazzanese |
O
uso comercial do suporte cardiovascular bioabsorvível já é aprovado em
vários países, mas, no Brasil, a técnica somente é autorizada no âmbito
da pesquisa médica. A cirurgia realizada nesta quarta-feira (24/10), em
um paciente de 33 anos com um grave quadro de colesterol alto, faz parte
de um estudo mundial sobre o dispositivo que está sendo desenvolvido em
outros 25 países sob a coordenação de Abizaid (em primeiro plano, na
foto acima).
"Estamos
expandindo o dispositivo para lesões e anatomias mais delicadas. A
cirurgia foi um sucesso, uma manifestação pública de que estamos
autorizados a implantar o stent bioabsorvível em situações mais
complexas", disse o médico ao site de VEJA.
Um
dia antes da operação no Hospital Dante Pazzanese (na foto em
destaque), foram divulgados os resultados dos exames de saúde em 500
pacientes que haviam recebido o dispositivo bioabsorvível há seis meses e
de 250 que haviam recebido o suporte há um ano.
"Foi
relatada uma incidência muito baixa de eventos cardíacos, confirmando
os dados de estudos anteriores. O retorno da lesão ficou abaixo de 2%,
uma taxa praticamente desprezível, e cerca de 0,05% dos pacientes
apresentaram trombose. Os dados nos dão ainda mais segurança para tratar
pacientes mais complexos", diz Abizaid.
Os
resultados dos trabalhos, segundo o cardiologista, precisam ser
submetidos a uma série de entidades médicas, entre elas Comissão
Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) e a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa), para que o dispositivo bioabsorvível seja
comercializado no Brasil.
Ele
acredita que isso ocorra até o final de 2013 e que o implante tenha
valores semelhantes aos metálicos farmacológicos — algo entre 6.000 e
8.000 reais. Os stents farmacológicos utilizados hoje são cobertos pelos
planos da saúde, mas não são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde
(SUS).
Padrão
Embora
o stent bioabsorvível tenha muitas vantagens sobre os metálicos
farmacológicos, Abizaid acredita que os dispositivos utilizados
atualmente não deixarão de existir conforme o novo suporte for ganhando
espaço na prática médica.
"Há
algumas situações em que os stens metálicos ainda são melhores,
especialmente em casos de operação em vasos muito pequenos e tortuosos.
Isso porque os dispositivos metálicos ainda são muito mais finos do que
os bioabsorviveis", disse o cardiologista.
No
entanto, ele acredita que, com o tempo, os bioabsorvíveis se tornarão
uso padrão em grande parte dos casos, especialmente em pacientes mais
jovens ou com problemas de saúde, como o diabetes, que fazem com que a
doença progrida muito mais rápido.
PBacontece
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