Meu caro Paiakan, a educação definitivamente não é a prioridade do
nosso ínclito, preclaro e insigne governador Ricardo Coutinho. Há vários
motivos para, lamentavelmente, ter chegado a essa conclusão. Triste,
porque afinal não existe saída sem educação. Um povo sem educação, além
de não conseguir progredir, é mais fácil de ser manobrado.
Mas, o que dizer de um Governo que, mal se instalou, foi logo
cortando recursos da Universidade Estadual da Paraíba? E, até mais:
achou pouco e rompeu uma das principais conquistas da Instituição, ao
decretar o fim da sua autonomia. Só por este exemplo já poderia entrar
para a História como um gestor limitado, de visão curta e perseguidor.
Esse mesmo gestor ceifou, de forma impiedosa, o emprego de milhares
de pais de família, especialmente prestadores de serviços humildes
responsáveis pelo funcionamento da maioria das escolas do Estado. Não se
sabe o número ao certo, mas com certeza acima de 17 mil servidores se
viram no olho da rua, sem qualquer contemplação.
Foi ainda esse mesmo gestor que, num instante de inexplicável
arroubo, mandou fechar (sim, isto mesmo, fechar) 188 escolas públicas
estaduais na Paraíba. Fechar escolas, pra quem não sabe, é crime. Pior
ainda pra quem sabe e assim mesmo fecha. Não convenceu a ninguém usar o
neologismo reordenamento, pois foi fechar mesmo, bater a porta.
E pífios, meu caro Paiakan, foram seus argumentos. Dizer que as
escolas tinham poucos alunos é algo que beira ao surrealismo. Ora,
tinham poucos alunos porque o Governo não teve competência para tirar as
crianças das ruas e levar para as escolas. Assim, é muito fácil.
Primeiro, desestimula as alunos irem às escolas e, uma vez, esvaziadas,
ele fecha.
Em vez de fechar escolas, ele poderia reordenar seu próprio
pensamento. Por que não pensou em tirar as crianças e adolescentes das
ruas, oferecendo escolas de qualidade, em tempo integral? Por que só
pensa no mal? Se apenas uma criança se formasse numa dessas escolas
ainda assim teria valido a pena. Pior é não oferecer a chance para
nenhuma delas.
Mas, esse Governo se supera. Afora tudo o mais, várias escolas estão
sem aulas por falta de transporte escolar. Falta dinheiro para
transportar os alunos. Quer dizer, o Governo tem dinheiro para comprar
um avião de mais de R$ 6 milhões e transportar o nosso ínclito, preclaro
e insigne governador, mas não tem para levar as crianças para a escola.
O que mais dizer?
Por:Hélder Moura.
Por:Hélder Moura.
