terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Seis tiros, quatro policiais e um ‘Pitoco’

Click Monteiro | 13:19 |
Acusado já foi preso com arma, drogas e uma moto roubada. Sobrou para a polícia voltar a fazer o velho ‘enxugamento de gelo’.


Na linguagem popular, ‘Pitoco’ é sinônimo de minúsculo, pequeno, irrelevante. Na vida real de policiais, as seis letras que compõem o termo podem significar um prejuízo irreparável.
 
Seis foi o número de disparos efetuados por Reginaldo Ramos da Costa – ‘Pitoco’ –, 21 anos de idade, contra o cabo Matias e os soldados Khallil, Pedro e Gilmara.

A guarnição policial da Força Tática desconfiou quando viu o suspeito às 16h desse sábado (18), usando um casaco preto com capuz, no bairro do Araxá, um dos mais violentos da cidade. Os PMs deram ordem para que ele parasse, mas Pitoco ‘cresceu’ para cima dos policiais: correu, foi perseguido por Matias e efetuou o primeiro disparo na direção do cabo.

Os militares revidaram os disparos e continuaram a perseguição. Numa viela, Reginaldo se deparou com Khallil e Gilmara. Espremeu-se numa quina de parede e efetuou mais cinco disparos, descarregando o tambor do revólver calibre 38 que portava.

Acuado por Pedro, o atirador entrou numa casa. Toda a guarnição foi ao seu encalço e o encontrou debaixo de uma cama, com o revólver já sem munições e – pasme – um colete a prova de balas.
 
Risco imenso
Toda a troca de tiros provocada por Pitoco aconteceu, como dissemos, na típica tarde movimentada de uma favela brasileira. Ou seja, por muita sorte ninguém saiu ferido.
 
Problema grande
Contra o suspeito existem dois mandados de prisão, por homicídios e tráfico de drogas. A propósito, o próprio cabo Matias já havia prendido o aparentemente ‘irrelevante’ Pitoco há dois anos, com uma moto roubada, arma e drogas. Estava nas ruas cometendo crimes de novo. Por quê?
 
‘Na média’
Apesar da ousadia, a periculosidade de Pitoco parece ficar aquém da do seu irmão, o ‘Novinho’, que, segundo a polícia, é o chefe de uma gangue no distrito de São José da Mata.
 
Pequeno
Diante de policiais altamente capacitados (caso contrário, as comissões de Direitos Humanos estariam reclamando mais uma ‘violência policial’ na Paraíba), Pitoco ficou pequeno, diminuto, encolhido, voltando ao significado de sua alcunha.
 
Ínfimo e irrisório
Mas existe algo que chega a ser menor do que a história do indivíduo: a atenção dada à segurança pública no Brasil e na Paraíba.
Um país que obriga policiais a arriscarem [de novo] suas vidas em busca de um sujeito que deveria estar preso não merece adjetivo grandioso.  
Deveria mudar de nome e passar a se chamar ‘Pitoco’.             

ParaibaemQAP
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