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| (Hospital Clementino Fraga - João Pessoa) |
O Hospital Clementino Fraga, em João Pessoa, inaugurou nesta
sexta-feira (21) um novo serviço: o Centro de Referência de
Imunodeficiência Primária, terceiro que passa a funcionar na região
Nordeste.
Segundo a diretora da unidade hospitalar, Adriana Teixeira, o
novo serviço permitirá que os casos suspeitos da doença possam ser
diagnosticados e receber o tratamento adequado sem ter que deixar o
Estado.
“A imunodeficiência é difícil de ser diagnosticada e exige
uma série de exames específicos que até então só eram realizados em São
Paulo, assim como todo acompanhamento e tratamento do paciente. Por
meio de convênio com o Hospital das Clínicas, o Instituto de Ciências
Biológicas e a Unifesp, os pacientes paraibanos, até então eram
encaminhados, por meio do programa federal “Tratamento Fora de
Domicílio”, para confirmação do diagnóstico e tratamento da doença. A
partir da inauguração do centro, pelo menos todo fluxo inicial, do
diagnóstico, acompanhamento, dispensação e aplicação do medicamento
serão realizadas aqui na Paraíba”, explicou Adriana Teixeira.
Imunodeficiências primárias
- São patologias comumente genéticas e hereditárias, que fazem com
que o paciente não seja capaz de desenvolver resposta imunológica
adequada as infecções, não possuindo defesa efetiva contra certos
grupos de bactérias, fungos ou vírus. O paciente poderá desenvolver
infecções de repetição, por vezes graves e debilitantes, deixando
sequelas para toda a vida, e, em certos casos, ser vitima de morte
precoce.
As Imunodeficiências primárias são um grupo importante de
doenças genéticas e hereditárias que acarretam maior susceptibilidade a
infecções que podem ser crônicas, recorrentes, debilitantes e, em
alguns casos, fatais.
Paciente – De acordo com
Lindalva Lima, gerente de Imunodeficiência Primária e mãe de uma
paciente diagnosticada com a patologia, o centro facilitará o
encaminhamento de pacientes de todo estado sob suspeita da doença,
permitindo a real avaliação do cenário na Paraíba. “A deficiência de
imunidade é mais comum em crianças, mas pode se manifestar em adultos. O
problema é que pela dificuldade de diagnóstico, muitas vezes o paciente
vai a óbito sem saber, inclusive que a morte pode ter sido provocada
pela incapacidade do paciente de produzir os anticorpos que necessita
para combater infecções e outras doenças”, relatou.
A gerente
enfatiza a importância dos profissionais de saúde serem sensibilizados
por sinais de alerta como a ocorrência de infecções repetidas ou até
mesmo uma infecção muito grave, que seja muito difícil de ser combatida.
“É imprescindível essa atualização dos médicos, até porque o paciente
diagnosticado imunodeficiente tem um custo muito menor para a saúde
pública, visto que pode ser acompanhado e as possíveis infecções podem
ser prevenidas. Isso faz com que o número de internações caia, assim
como o número de intervenções de emergência”.
Lindalva aproveitou
ainda para agradecer toda a assistência que sua filha vem recebendo do
Governo do Estado. “Minha filha hoje está com 21 anos e foi
diagnosticada com imunodeficiência aos seis anos. Ela vem recebendo toda
a assistência necessária do Estado, junto ao Tratamento Fora de
Domicílio (TFD). Eu posso dizer que se não fosse pelo Estado minha filha
não estaria viva,” concluiu.
Além de diminuir o custo do paciente
para a rede pública de saúde, a inauguração do Centro de Referência de
Imunodeficiência Primária trará comodidade e um acompanhamento mais
humanizado aos pacientes e seus familiares.
Investimentos
– O vice-governador, Rômulo Gouvêa, enfatizou os investimentos na saúde
em um ano e oito meses de Governo. “Na saúde estamos investindo
bastante nessa gestão. Abrimos mais de 500 leitos, inauguramos hospitais
em vários municípios, como por exemplo, em Taperoá e Sumé e firmamos
convênios para manter o funcionamento de hospitais de pequeno porte. No
hospital Clementino Fraga, fizemos investimentos físicos e de pessoal,
buscando sempre a humanização do atendimento, o cuidado psicológico e
social para que as pessoas não se sintam isoladas da sociedade”,
afirmou.
O secretário da Saúde, Waldson Sousa parabenizou a
direção do hospital pelo esforço e empenho em mais essa inauguração, e
citou outras melhorias na saúde realizadas pelo Governo. “Nós temos
pacientes que necessitavam desse tipo de atendimento, desse serviço. O
Governo do Estado entendeu a necessidade da abertura desse centro, e
está sempre buscando melhorias para a saúde na Paraíba, como por
exemplo, a recente inauguração do Laboratório de Testagem de Ácidos
Nucleicos (NAT), no Hemocentro da capital, que é um serviço pioneiro no
país”, disse.
Dispensação de medicamentos – A
dispensação de imunoglobulina é realizada na Paraíba pelo Centro
Especializado de Dispensação de Medicamentos Excepcionais (Cedmex). A
aplicação do medicamento, no caso dos pacientes com imunodeficiência,
não acontece na Paraíba, porque até então não havia profissionais
capacitados para este atendimento específico.
A inauguração do Centro de
Referência de Imunodeficiência Primária suprirá esta lacuna.
Secom-PB

