![]() |
(Vítor Suarez Cunha) |
Quatro dias após o juiz Murilo Kieling, da 3ª Vara Criminal da
Capital, decidir que os cinco acusados de espancar o estudante Vítor
Suarez Cunha, 21 anos, não serão levados a júri popular, o rapaz
agredido diz que, enquanto seus agressores estão soltos, ele é quem está
privado do direito de ir e vir, tendo que mudar de endereço a todo
instante para que não sofra retaliações.
“Eu tenho me mudado, estou sem um endereço fixo, não saio mais, não
vejo meus amigos, tenho dificuldade de encontrá-los. Eu sempre tive uma
vida bem ativa, estudava, trabalhava, fazia cursos e agora não tenha
mais nada disso, não sobrou nada do que era a minha vida”, afirmou ao G1, nesta terça-feira (31), o jovem que foi agredido em fevereiro deste ano, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro.
O estudante reagiu com indignação ao saber da decisão da Justiça do Rio. “Eu fiquei surpreso, até acreditava que a Justiça não fosse dar o melhor dos resultados, mas não esperava que nada fosse acontecer. Eu não consigo acreditar que um caso que tenha provas tão contundentes, como um vídeo, e que teve um apelo global permaneça impune. Eu fico pensando: o que é necessário então para que as coisas aconteçam?”, reclamou.
O estudante reagiu com indignação ao saber da decisão da Justiça do Rio. “Eu fiquei surpreso, até acreditava que a Justiça não fosse dar o melhor dos resultados, mas não esperava que nada fosse acontecer. Eu não consigo acreditar que um caso que tenha provas tão contundentes, como um vídeo, e que teve um apelo global permaneça impune. Eu fico pensando: o que é necessário então para que as coisas aconteçam?”, reclamou.
Segundo o advogado de Vítor, André Oliveira, agora cabe ao Ministério Público recorrer.
“O advogado funciona como assistente de acusação. O recurso compete ao MP fazer. Inclusive esta decisão do juiz contraria a jurisprudência, que diz que quem decide é o tribunal de júri. Na dúvida, a sociedade pronuncia-se, o júri é o juiz competente, ele que diz se houve vontade de praticar o crime ou não. Os laudos dos exames são provas concretas, todos os acusados são citados e identificados. Por isso, a gente acredita que a decisão vai ser reformada, sim”, explicou André.
“O advogado funciona como assistente de acusação. O recurso compete ao MP fazer. Inclusive esta decisão do juiz contraria a jurisprudência, que diz que quem decide é o tribunal de júri. Na dúvida, a sociedade pronuncia-se, o júri é o juiz competente, ele que diz se houve vontade de praticar o crime ou não. Os laudos dos exames são provas concretas, todos os acusados são citados e identificados. Por isso, a gente acredita que a decisão vai ser reformada, sim”, explicou André.
Decisão do juiz
Vítor passou por cirurgia e teve 63 pinos
implantados no rosto (Foto: Reprodução TV Globo)
implantados no rosto (Foto: Reprodução TV Globo)
Em sua decisão, publicada na sexta-feira (27), o juiz Murilo
Kieling ressalta que "nem todo o resultado morte induz a caracterização
de um homicídio doloso. E nem sempre a gravidade das lesões gera
caracterização de delito de homicídio”. Vítor Suarez Cunha passou por
uma cirurgia em que teve 63 pinos implantados no rosto por causa do espancamento que sofreu.
O juiz converteu ainda a prisão preventiva de quatro acusados em
medidas alternativas. A decisão atinge Tadeu Assad Farelli Ferreira,
William Bonfim Nobre Freitas, Fellipe de Melo Santos e Edson Luis dos
Santos Junior. O quinto réu, Rafael Zanini, teve a prisão revogada.
Vítor foi agredido na madrugada de 3 de fevereiro, ao defender um
mendigo que era importunado pelo grupo agressor. Ele levou vários
violentos chutes no rosto.
G1