quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Agitadores políticos se profissionalizam na internet

Click Monteiro | 20:42 |

Especialistas em mobilização são contratados para estabelecer conexões entre cidadãos e políticos, mas negam vínculo com partidos

Nara Alves, iG São Paulo

Foto: Bruno Zanardo/Fotoarena

Eles são jovens, politicamente engajados, vidrados em internet e em novas tecnologias. Em vez de curtir, eles “like”. Em vez de vibrar, eles “vibe”. Adotam termos em inglês sem tradução exata para o português como “crowdsourcing”, “coworking” e “accountability”. Dizem sonhar com uma sociedade envolvida nas questões políticas e, cada vez mais, passam a ser contratados, com salários competitivos, para promover causas, projetos e mudança social. Mas negam qualquer tipo de vínculo com partidos políticos e se autointitulam independentes.

Grande parte desses novos profissionais iniciou a carreira como voluntário, em passeatas contra a corrupção ou em mutirões para coleta de assinaturas. Há pouco mais de um ano, contudo, passaram a receber dinheiro pelos serviços prestados. O salário ainda não supera o que poderiam ganhar em grandes agências de publicidade ou em consultorias, mas eles garantem que os resultados positivos compensam. E dizem que isso é o mais importante.
Os serviços prestados pelos chamados "empreendedores sociais" incluem tarefas similares às executadas em uma campanha política eleitoral, como a produção de conteúdo para sites, elaboração de estratégia de divulgação, criação de layout, desenvolvimento de plataformas, coleta de assinaturas e gerenciamento de eventos. Entre uma atividade e outra, saem às ruas para promover debates e estender faixas com a propaganda da causa. A diferença é que as causas, até agora, não têm vínculo direto com partidos, coligações ou candidatos.

Henrique Parra | 22 anos | Cidade Democrática | De Jundiaí | Solteiro
“Eu queria fazer um serviço voluntário, mas não me agradava a ideia de ficar numa creche brincando com uma criança por três horas. Queria fazer alguma coisa que mudasse mais as coisas”, diz Henrique Parra.
O estudante de Ciências Sociais Henrique Parra Filho, de 22 anos, recebeu em 2011 cerca de R$ 1.500 ao mês para trabalhar no Cidade Democrática, uma plataforma de participação política desenvolvida pelo Instituto Seva. O dinheiro do Instituto vem da venda de oficinas e cursos de webcidadania solicitados por prefeituras e organizações não-governamentais. “O Cidade Democrática é uma plataforma aberta de crowdsourcing (modelo de produção coletivo e aberto), inteligência coletiva voltada para achar soluções para a cidade”, explica. Antes disso, seu trabalho era voluntário.

Ao mesmo tempo, Henrique Parra mantém seu trabalho voluntário em Jundiaí e é sócio da consultoria Enzima, voltada para políticas públicas. A diferença entre sua atividade no Cidade Democrática e na Enzima é clara: “É o mesmo paradigma, mas na Enzima é negócio”. E a empresa está em expansão. Nesta semana, os sócios mudaram a sede para uma sala maior, na Avenida Faria Lima, zona oeste de São Paulo
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