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| (Dráuzio Varella)Foto:ascom |
Quando a manchete de um jornal qualquer anuncia “Tortura em presídio”, uma multidão de leitores corre para comprar a informação e saber quem são os agentes envolvidos no crime. O que pouca gente sabe é que essa prática abominável é um constante entre os próprios presos (aí a notícia não tem graça...).
Quem nos ajuda a confirmar essa constatação é ninguém menos do que o conhecido médico Dráuzio Varella, em seu livro Carcereiros. Ele, que contabiliza 23 anos de serviços prestados em penitenciárias de São Paulo, diz o seguinte na página 147 de sua obra:
“As torturas mais bestiais de que tive notícia não foram praticadas por carcereiros, mas pelos próprios presos contra os que caíram em desgraça, na maioria das vezes por motivos fúteis, vingança ou mera disputa de poder. A perversidade no mundo do crime não conhece limites. Não vou dar mais exemplos para não relembrá-los. Cadeia é um lugar povoado de maldades.”
A convivência diária com a violência ao seu redor foi uma experiência tão estressante na vida de Dráuzio que ele mesmo confessa:
“Muitas vezes senti vontade de bater num preso. Não por alguém haver me desrespeitado, fato que jamais ocorreu, mas pelos requintes de crueldade nos crimes cometidos contra gente indefesa ou pela brutalidade empregada para subjugar os companheiros.”
Palavra de agente
Não tome a vontade insuportavelmente contida de Dráuzio Varella como um exemplo a ser praticado.
Publicamos esse trecho do livro apenas para as pessoas de bom senso terem noção do quanto é árdua a missão nos presídios brasileiros, a ponto de um médico não conseguir suportar.
A lei deve ser seguida, o uso da força apenas quando previsto em lei e ponto final.
A não ser que você, profissional da área, queira ser manchete principal nas capas dos jornais.
O assunto rende.
ParaibaemQAP
