O pedido foi apresentado pelo advogado Lúcio Adolfo da Silva, um dos defensores do goleiro, que ingressou nesta quarta-feira (21/11) na defesa do ex-atleta após Francisco Simim entregar à juíza um documento pelo qual nomeou Adolfo da Silva para o seu lugar.
Agora, só serão julgados neste
Tribunal do Júri o réu Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e Fernanda Gomes
de Castro, ex-amante do goleiro.
Inicialmente,
o julgamento havia sido transferido para 21 de janeiro, mas a juíza
Marixa Fabiane achou melhor adiar para março por conta das férias e do
Carnaval, o que traria dificuldades para formar o conselho de jurados.
Logo
no início da sessão, Lúcio Adolfo da Silva argumentou não ter condições
de atuar na defesa do réu por não ter conhecimento dos autos. "Não li
uma única linha do processo", afirmou Silva. Indagado se conhecia o
cliente, respondeu: "Quem não conhece Bruno? Ele é atleticano."
Em
seguida, o promotor Henry Castro fez uma longa manifestação contra o
adiamento do júri, na qual disse que os advogados estavam ferindo o
Código de Processo Penal e tentando claramente manobrar o julgamento.
“Quem preside esse julgamento é Vossa Excelência; neste julgamento a
Promotoria de Justiça pede; e neste julgamento algumas das defesas, sob a
capa da astúcia e da bravata, só manobram.
Ainda
assim, a juíza Marixa aceitou o pedido da defesa de Bruno. “Não
obstante ver clara manobra para postergação do processo --por outro lado
também é verdade que o documento apresentado a mim foi de
substabelecimento-- concedo ao senhor advogado prazo para ter ciência do
processo”, declarou a magistrada. “Determino o desmembramento do
processo.”
Inicialmente,
Marixa Fabiane marcou o julgamento de Bruno para 14 de janeiro, mas o
promotor afirmou que estaria voltando de férias nesta data, e magistrada
decidiu postergar para o dia 21. Após a decisão, o goleiro Bruno deixou
o Fórum de Contagem escoltado pela Polícia Militar e foi conduzido ao
presídio Nelson Hungria, no mesmo município.
Manobras da defesa
Manobras da defesa
Desde
ontem (20/11) a defesa de Bruno tenta protelar a realização do
julgamento. Na sessão de terça, o goleiro destituiu Rui Pimenta, o
advogado responsável pela sua defesa, por se sentir "inseguro", mas
disse que continuaria com Francisco Simim. Minutos depois, o réu voltou
atrás e pediu a destituição de Simim, sob o argumento de que a
manutenção como único advogado prejudicaria a defesa de Dayanne de
Souza, que também é defendida por Simim.
A
magistrada, então, decidiu desmembrar o julgamento de Dayanne, de modo a
permitir que Simim só fizessem a defesa de Bruno neste Tribunal do
Júri. AInda ontem, Simim substabeleceu (transferiu a responsabilidade da
defesa do réu) para o advogado Tiago Lenoir, que um dia antes afirmou
no Twitter que o goleiro deveria confessar o crime de homicídio e se
defender dos outros (cárcere privado e ocultação da cadáver) para ficar
menos tempo na prisão.
Hoje,
foi a vez de SImim substabelecer Adolfo da Silva, que, tão logo
ingressou na defesa, pediu o adiamento do júri de Bruno. Lenoir, assim
como Simim, deixaram a defesa de Bruno. Além de Adolfo, Antonio Rolim
advoga para o goleiro.
Para
o assistente da Promotoria Sidnei Kapinski, a manobra utilizada pela
defesa, de adiar o julgamento para janeiro, é uma "manobra" para
Macarrão assumir a responsabilidade no lugar de Bruno.
"Acreditamos
que o testemunho de Macarrão, que pode acontecer ainda hoje (21) ou
amanhã (22), irá confessar tudo e assumir a responsabilidade pelo
desaparecimento e morte de Eliza Samudio", disse Kapinski.
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