É
unânime que não se deve perder amizades por causa de política, todos nós
raciocinamos assim. A razão para isso, é o mesmo sentimento
racional de que a política passa, e amizade fica. Até aí tudo bem é ponto pacífico para todos.
Mas vamos agora raciocinar sobre o
que não é comum, o que não é pacífico. Por exemplo: Por que os amigos não votam
nos amigos? Já que seria natural que
isso acontecesse, pois em tese se existe uma amizade entre o eleitor e o
candidato, é normal que exista uma relação de confiança e de bem estar entre os
dois. Mas vemos alguns casos que aqui não cabe relatar, em que por razões
políticas se abandona, ou pelo menos deixa em “stand by”, a tão defendida e preservada amizade. Isso
acontece até no seio da própria família, onde em função da política se dividem
em opiniões. Em que pese a relação de consangüinidade e o afeto que se tem um
pelo outro, família agente não escolhe,
mas amigo sim.
Em razão disso faço-vos,
um questionamento. Os amigos não
servem para o exercício do poder? A tão
propalada amizade não serve, não interfere no nosso raciocínio político? Não
merece acolhimento as pretensões dos amigos?
É necessário prudência ao analisar
esta situação, pois a amizade e voto são duas coisas extremamente importantes
para vida de cada um de nós. Tanto a amizade quanto o voto são escolhas íntimas
e pessoais, que podem caminhar juntas ou não. Ora, se eu escolhi alguém para
ser meu amigo (a) é natural que ele mereça a confiança do meu voto; ou os amigos
servem para umas coisas e outras não? Definitivamente não entendo amizade desse modo.
É necessária uma justificativa razoável para que não
se apóie um amigo quando esse é
postulante, sob pena de abalar as estruturas da amizade construída por escolha nossa.
Não podemos imaginar nem de longe que seja um motivo mesquinho, pois assim não
existiria a amizade.
Ora ninguém está obrigado a votar em alguém, como
também não está obrigado a ser amigo. Apenas entendo que sendo amigo vota,
apóia, é solidário etc., não sendo assim,
não é amigo, tem ombros apenas para o uso do suspensório, ou então, amigo não é
aquilo que me ensinaram e eu devo rever meus conceitos.
É o nosso
modesto e mutável entendimento.
Edvaldo Bezerra
Obs.: A pretensão do autor é apenas estimular o
raciocínio, pois o mesmo respeita opiniões contrárias.
Fonte:OPIPOCO