Outra morte atribuída a um dos membros
do trio de canibais pode ter ocorrido dentro do Complexo Psiquiátrico
Juliano Moreira, em João Pessoa, onde o acusado Jorge Beltrão Negromonte
da Silveira, 51 anos, conhecido como “Monte”, teria sido internado
quando morava na Paraíba.
Entre os relatos no diário do grupo, ele
confirma que teria feito uma vítima na unidade hospitalar, conforme o
delegado do município do Conde, responsável pelo caso na Paraíba, Elias
José Rodrigues. O fato será investigado.
A Polícia Civil vai investigar também a
possível ligação dos canibais de Pernambuco com políticos do Conde, no
Litoral Sul da Paraíba. O delegado acredita que o grupo tinha pretensões
políticas, que deverão ser apuradas. Por isso, todas as relações
pessoais deles serão esmiuçadas. “Provavelmente, pode haver participação
de políticos nesse esquema”, declarou. As informações iniciais apontam
que os canibais vendiam artesanato, além de empadas e coxinhas, que
seriam recheadas com carne humana, mas a polícia vai investigar se eles
recebiam favorecimento.
Embora não haja informações sobre
desaparecimento de moradores do Conde, o delegado afirmou que se
realmente houve algum homicídio na região, pode ter sido de pessoas de
outra localidade que teriam sido atraídas para lá. “A Polícia Civil não
possui informações sobre moradores desaparecidos, a não ser que as
vítimas tenham sido pessoas de outras cidades que estavam aqui”,
ponderou.
Escavações
As escavações nas duas casas onde
moraram os canibais, no município do Conde, Região Metropolitana de João
Pessoa, requisitadas pela Polícia Civil, devem ser iniciadas na próxima
semana. Na primeira visita às casas onde o grupo, nenhum indício foi
encontrado. Os peritos do Departamento de Criminalística do Instituto de
Polícia Científica da Paraíba (IPC) estiveram nos dois imóveis na
última quinta-feira (19), junto com homens do Corpo de Bombeiros, para
fazer uma vistoria preliminar. Um dos proprietários foi ouvido. O outro
ainda não foi localizado.
“Duas equipes da Criminalística
estiveram nestas casas e verificaram a grandiosidade dos locais. Foi
feito um levantamento inicial na tentativa de buscar vestígios, com a
ajuda do Corpo de Bombeiros. As equipes vão realizar perícia na próxima
semana e fazer a busca de cadáveres nos locais onde esse grupo fixou
residência”, declarou Elias Rodrigues.
Moradores falam sobre trio
O crime dos canibais de Pernambuco que
se abrigaram no município do Conde repercutiu na comunidade local. Quem
mora próximo às casas que foram alugadas por eles conta que nunca
suspeitou do envolvimento do trio com esse tipo de crime, e que só
agora, após esta revelação, recordam que os três eram fechados e tinham
pouco contato com os vizinhos.
A dona de casa Neide dos Santos Avelino,
42, lembrou que sempre via o grupo andando de carro, mas jamais
imaginou que se tratasse de uma quadrilha de assassinos. “Eles não
levantavam suspeitas. Eram muito reservados. Sempre andavam num carro,
mas eu não sei se era deles”, lembrou. Ela disse que, na época, comia
muita coxinha vendida na cidade e, apesar de não saber se eram
produzidas por eles, pretende fazer alguns exames, por precaução.
O agricultor Luiz Ribeiro, 42, confessou
que depois dessa história, todos os moradores ficaram impressionados.
“A gente fica se perguntando como é possível pessoas assim morarem tão
perto de nós e ninguém desconfiar de nada”, observou. “É uma situação
diferente do comum, que choca todo mundo. Não dava para imaginar isso.
Talvez tenha gente daqui envolvida”, completou um morador que não quis
se identificar.
Canibal vendeu espetinhos em Jacumã
Uma dia depois de uma equipe da TV
Correio haver localizado no Conde as duas granjas alugadas aos canibais,
uma nova informação deixou a população do município apreensiva.
Moradores da praia de Jacumã reconheceram Jorge Beltrão como vendedor
de espetinhos na época em que o trio morava no Conde, em 2008. Com a
descoberta, a polícia acredita que os espetinhos vendidos podem ter sido
de mulheres mortas pelo trio.
Vítimas mortas a golpes de karatê
Os três atraíam suas vítimas com uma
falsa promessa de emprego de babá. Quando as elas chegavam à residência
do trio, Jorge, que é professor de caratê, aplicava um golpe na nuca da
vítima como primeiro passo do ritual de purificação da seita e as
arrastava por uma corda no pescoço até o banheiro. Segundo depoimento
dos presos, se a mulher sobrevivesse, a carne dela seria purificada, e,
se morresse, o espírito receberia a purificação.
Passo a passo do ritual de terror
Durante o ritual macabro ocorria a
retirada da pele, o esquartejamento da vítima e a retirada dos músculos e
do fígado, que eram armazenados na geladeira para consumo tanto da
família quanto para a preparação de salgadinhos, que eram vendidos por
Isabel pela cidade de Garanhuns. Os restos eram enterrados no quintal da
casa.
‘
Revelações de um Esquizofrênico’
No livro “Revelações de Um
Esquizofrênico”, escrito por Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, o
autor revela que teria sido autor de um assassinato no Complexo Juliano
Moreira, em João Pessoa. Ele relata que foi internado na unidade, onde
ficou por 27 dias, depois de sofrer um assalto, em que foi baleado com
um tiro na cabeça. Após o fato, Jorge diz que as crises esquizofrênicas
se tornaram mais frequentes.
“(…) Nevinha que era psiquiatra
responsável pelo hospício Juliano Moreira, me pega pela mão e me leva
para parte de cima do estabelecimento. Na subida, cada degrau tinha uma
poça de sangue, no final do percurso, um corpo de segurança caído com
vários ferimentos, imóvel e sem respirar. Nevinha olha pra mim e fala
que eu fui o culpado. Nessa hora eu pensei comigo mesmo: Como poderia
com minhas próprias mãos ter assassinado um homem bem mais forte e alto
que eu (sic)”.
Capítulo XXVIII – Voltamos a morar na Paraíba
“Coloco a nossa casa à venda, Jéssica
não gostou muito da idéia, porém eu não mudei a minha opinião, pois não
podia ficar em uma casa assombrada, cheia de espíritos do mal pondo em
risco a minha família.
Não esperei muito, e em menos de um mês
eu tenho uma ótima oferta após negociar o preço da casa fechando negócio
com um português. Vendo também os imóveis. Combinei com Bel e Jéssica, e
voltamos a morar na Paraíba, só que desta vez, fomos morar em Conde,
uma pequena cidade litorânea (sic)”.
Capítulo XXI – Novo golpe do destino (academia em JP)
“Sabendo que eu estava sem trabalho, um
colega meu que residia em João Pessoa, Paraíba, me contratou para
trabalhar em sua academia. Fui então morar em João Pessoa, deixando a
minha filha sobre os cuidados da minha mãe, já que ela estudava e uma
transferência escolar ia lhe prejudicar. Tudo ia bem, até que um dia eu
comecei a misturar o real com o irreal novamente. Volto a freqüentar as
clinicas psiquiátricas, e mais uma vez fico impossibilitado para o
trabalho de educador físico. Bel começa a produzir empadas, vendendo de
porta em porta, para nos manter, eu à ajudo, porém entro em depressão
(sic)”.
Capítulo XXV – A morte do mal
“Pego uma faca e lhe dou um golpe forte e
preciso, atingindo a sua jugular (…) Vejo aquele corpo no chão, Jéssica
desconfia que ainda se encontra com vida, pego uma corda, faço uma
forca e coloco no pescoço do corpo, puxo para o banheiro e ligo o
chuveiro para todo o resto do sangue escorrer pelo ralo.
Ao olhar para o corpo já sem vida da
adolescente do mal, sinto um alívio. Pego uma lâmina e começo a retirar
toda a sua pele, e logo depois à divido. Eu, Bel e Jéssica nos
alimentamos com a carne do mal, como se fosse um ritual de purificação, e
o resto eu enterro no nosso quintal, cada parte em um lugar diferente
(sic)”.
