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| 'Biblioteca-jumento' disponibiliza livros para comunidades rurais da Mata Sul de Pernambuco. (Foto: Luciano Campêlo / Divulgação) |
'Livros Andantes' leva publicações a comunidades rurais da Mata Sul.
Ariano Suassuna, Raimundo Carrero e Shakespeare fazem parte do acervo.
Uma biblioteca itinerante que tem como meio de transporte um jumento. A
ideia inusitada faz parte do projeto 'Livros Andantes', que passeia
atualmente pela Mata Sul de Pernambuco incentivando a leitura nas
comunidades rurais de Raiz de Dentro e Estevinhas, em Amaraji.
Cada um
dos povoados vai receber quase 200 livros e cordéis, que ficam para a
comunidade depois dos 16 encontros promovidos pelo projeto. Os encontros
acontecem sempre aos domingos, com participação de professores e
arte-educadores capacitados em oficinas do Livros Andantes.
Neste domingo (29), o projeto vai estar na comunidade de Raiz de Dentro
durante a manhã. Na parte da tarde, é a vez de Estevinhas, ambos no
município de Amaraji . “Pela nossa experiência, depois do 16º encontro, a
comunidade já tem certa intimidade com os livros, já vai em busca
deles. Afinal, nosso objetivo é realmente esse, deixar os livros, formar
novos leitores”, conta Clara Angélica, coordenadora do projeto.
A escolha do jumento como meio de levar os livros às comunidades, que
não tem um acesso fácil, faz parte do processo de conquista do público.
“Quando eu pensei no projeto, pensei em ir em busca desse potencial
leitor, que não tem como se deslocar até a biblioteca da cidade. O
jumento é um meio de transporte bastante comum na região, eles usam para
transportar o que plantam, como banana, inhame, cará. Era uma forma de
fazer parte do cotidiano deles”, explica a coordenadora.
As atividades da biblioteca itinerante começam com a leitura de algum
trecho ou capítulo de um livro e, depois, o público é convidado a
escolher mais um para ser lido. Após a leitura, entram em cena os
arte-educadores e os empréstimos dos livros, buscando sempre que o
leitor compartilhe no encontro seguinte parte da obra com os outros.
"Quando você tem contato com os livros, de alguma maneira uma luz se
acende na sua vida. É como se você estivesse o tempo todo na escuridão, e
quando você tem contato com o livro, o mundo se abre pra você de alguma
forma. Isso não tem preço", defende Clara Angélica.
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| Projeto busca formar novos leitores. (Foto: Luciano Campêlo / Divulgação) |
Romeu e Julieta, uma versão mais adaptada para uma linguagem mais popular, a gente tem essa preocupação de trazer a boa literatura”, detalha Clara.
A primeira edição do projeto aconteceu em 2009, no povoado de Prata Grande, onde o projeto comemora mais de 1.200 empréstimos, e de Estivas, ambos em Amaraji.
“Uma coisa que é muito legal é a receptividade, o encantamento que o livro provoca. Na primeira vez, muitos chegaram a cavalo e ficaram dentro de um abrigo. É todo um processo de conquista. No dia seguinte do primeiro encontro, seis adultos foram lá me procurar para serem alfabetizados”, lembra a coordenadora.
Nesta edição, além da ‘biblioteca-jumento’, o projeto criou também um
cineclube, que leva curtas-metragens ligados às temáticas da comunidade.
No primeiro encontro deste ano, no último dia 15 de abril, o filme foi
‘Terra para Rose’, de Tetê Moraes, documentário de 1985 que fala sobre
reforma agrária. “Eles se identificaram, lembraram que foram de Vitória
de Santo Antão para o Recife a pé, compartilharam experiências”, conta
animada Clara.
Para esse domingo (29), o cineclube apresenta um documentário sobre
mulheres que raspam mandioca. “É um documentário, um curta que tem
totalmente a ver com a realidade deles. Eles têm casa de farinha,
plantam a mandioca”, acrescenta a coordenadora.

