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| Advogado de Mução-Waldir Xavier (Imagem de internet) |
'Foi um mal-entendido', diz advogado sobre prisão de Mução
Operação da polícia prendeu o radialista em Fortaleza.
Advogado diz que já entrou com pedido de habeas corpus.
A operação "DirtyNet" realizada nesta quinta-feira em 11 estados e no Distrito Federal prendeu o humorista no Bairro Meireles, em Fortaleza, por suspeita de divulgação na web de material pornográfico infantil.
O radialista Rodrigo Vieira Emerenciano segue preso na Superintendência da Polícia Federal, em Fortaleza,
segundo Xavier. Caso a Justiça aceite o pedido de prisão preventiva,
solicitado pela Polícia Federal nesta quinta-feira, ele poderá ficar
preso até a conclusão das investigações.
''Ele (Mução) já liberou o uso dos computadores e, ao longo das
investigações, vai ser provado que ele não tem qualquer relação com o
fato. Ele foi preso por um equívoco e vamos demostrar isso'', disse
Xavier. O advogado diz que já entrou com pedido de habeas corpus
alegando que Mução não traz riscos às investigações.
Materiais de informática que estavam com ele, como notebook e tablet,
foram apreendidos para perícia. O radialista comanda um programa de
rádio de humor retransmitido no Nordeste há 15 anos. Atualmente, ele é
retransmitido em rádios de todo o país e é conhecido por aplicar
pegadinhas por telefone.
“Tudo vai ser esclarecido. Ele não tem nenhuma participação. É
profissional reconhecido nacionalmente. A partir das oitivas
(depoimentos), a Polícia Federal vai constatar que ele não tem nenhum
envolvimento”, afirmou o advogado do radialista, Waldir Xavier.
Prisões
Além do humorista, outras prisões ocorreram
no Rio Grande do Sul (5), Paraná (3), São Paulo (9), Rio de Janeiro
(5), Espírito Santo (1), Ceará (1), Minas Gerais (5), Bahia (1) e
Maranhão (2). Entre os presos, está um humorista famoso em Fortaleza,
conhecido como Mução. Uma pessoa segue foragida.
A PF começou a monitorar a quadrilha há seis meses através de redes
privadas de compartilhamento de arquivos. Os suspeitos atuavam no
anomimato. Os arquivos compartilhados pela quadrilha continham cenas de
adolescentes até 12 anos, crianças e bebês em contexto de abuso sexual.
As fotos não eram vendidas, mas trocadas entre os usuários.
Segundo a Polícia Federal, 97 estrangeiros e 63 brasileiros
participariam da rede de pedofilia, trocando material contendo cenas de
sexo explícito com crianças e adolescentes. Em todo o Brasil, 49 pessoas
foram identificadas.
Perícia
Segundo a PF, o humorista teve a prisão
temporária decretada pela Justiça Federal em Pernambuco. "Acredito que,
pela materialidade das provas, [a prisão] pode ser transformada em
preventiva", afirma a delegada da PF, Kilma Caminha.
A transferência ou não do suspeito para a sede do Recife depende da
perícia que está sendo feita nos eletrônicos apreendidos com ele. "Se
for constatado que há material pornográfico infantil ou adolescente, vai
ser efetuado o flagrante e ele fica preso em Fortaleza", acrescenta a
delegada.
A PF fez duas buscas no Recife, no antigo endereço residencial do
suspeito, no bairro da Imbiribeira, e no comercial, no bairro de São
José, além de buscas em dois locais em Fortaleza e um no Rio Grande do
Norte. "A busca é uma complementação dessa arrecadação de provas, para
que possamos ver se ele pode ser indiciado por outros crimes. Por hora,
já temos comprovado que ele trocava essas imagens. Outros crimes estão
sendo investigados", explica a delegada da PF.
De acordo com Nilson Antunes, diretor regional de Combate ao Crime
Organizado da PF, os dados obtidos ao longo das investigações já
comprovam o envolvimento do suspeito. "Já temos provas robustas da
participação dessa pessoa no cometimento desses crimes. São provas
técnicas que não temos como materializar, análise de transmissão de
dados, de material de informática", afirma.
O suspeito teria se mudado para Fortaleza há pouco tempo, cerca de três meses. "Quando as investigações começaram, em dezembro, ele morava aqui no Recife. Identificamos residências dele em Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte", afirma Antunes, que ressalta ainda a impossibilidade de dar mais detalhes sobre a operação. "Esse é um caso que corre em segredo de Justiça, todo cuidado é pouco", diz o diretor regional.

