segunda-feira, 10 de outubro de 2011

PODE SER QUE O QUADRO MUDE

Click Monteiro | 08:41 |

Sérgio Bezerra
ImageConfesso que relutei em fazer uma análise do quadro atual da política monteirense, principalmente pelo receio de provocar um infarto nos chirimbabas de plantão, que, nesta época, ainda a um ano das eleições, já estão com os nervos à flor da pele.

Daqui a pouco, chegaremos ao ridículo de um “amarelo” não passar na calçada de um “vermelho”, e vice-versa. Mas resolvi exercer o direito constitucional de expressão e, para não me alongar em demasia neste texto, me arrisco apenas a uma análise da situação.
 
Meses atrás, em pesquisa divulgada pela imparcial rádio Monteiro-FM, a situação eleitoral da prefeita estava extremamente delicada, com o índice de aceitação sofrível e o de rejeição aos píncaros. De sorte, a partir desse fato, uma nuvem de bondade pairou sob o paço municipal e a prefeita Ednacé cuidou de tocar obras planejadas, projetadas, conveniadas, licitadas e com recursos captados pela antecessora, somada a uma maciça divulgação na imprensa.
 
Todavia, essa ação em nada contribuiu para melhorar a sua aceitação, e, consequentemente, diminuir a rejeição popular. As visitas às obras, acompanhadas de pessoas com cargos comissionados devidamente pré-convocados, a aparição no desfile de Sete de Setembro e a solidão de amigos em aparições cotidianas são sintomáticas. Só não enxerga quem não quer ou quem tem interesse em não enxergar.
 
Dúvidas restam para saber qual o real motivo da situação. A meu sentir, a estratégia da melodia de uma nota só não cola mais. Muammar Gaddafi que o diga. Aqui mesmo, na Paraíba os vermelhos em nível estadual já sofreram o equívoco dessa ação, com a derrota do PMDB na ultima eleição para governador.
 
É fato que o esquema situacionista perdeu grandes figuras em seu quadro, como o vice-prefeito Eugênio Henrique, o líder político Chuta e o vereador Conrado, o mais bem votado das últimas eleições, sem esquecer que muita gente boa que lutou com afinco para a eleição da prefeita já abandonou o barco ou não possui a mesma disposição de antes. Faltou reconhecimento, é o que se comenta à boca miúda.
 
 Por outro lado, algumas adesões ao esquema político da prefeita também devem ser consideradas, embora nenhuma seja de estremecer calçamento, no dizer do grande filósofo contemporâneo Matias de Zacarias. O danado é que a adesão do excelente Paulo da Ademon, o popular Pulita, já foi anunciada umas três vezes. Outro feito, é que algumas pessoas são anunciadas como adesão, sob o alardeio de que se renderam à excelente administração municipal, dias depois familiares do adesista (ou até mesmo o próprio) aparece nomeado ou prestando serviços em órgãos públicos... E o povo só espiando. Foi desse jeito que Maranhão lascou-se.
 
Outro fato que pode ter contribuído para o desgaste foram as respostas evasivas às denuncias que pipocaram na imprensa, baseadas em documentos emitidos pela própria prefeitura. A tese de apontar viés oposicionista aos sites e de jogar a culpa na digitação, definitivamente, não colou, serviu apenas para fomentar o nascimento de uma interrogação do tamanho do Cariri. Fazia-se necessário uma resposta mais contundente a cada uma das ilações.
 
Esse quadro não é irreversível, claro. Em política eu só não vi boi voar! Se por acaso alguns auxiliares da prefeita se dignassem a esconder a empáfia num saco escuro, seria um bom começo. Seria necessário ainda que o incansável Raul Formiga, desta vez, se esquecesse de importar do Ártico aquele famoso pé, que vem usando com ardor nas últimas quatro eleições municipais. Também seria preciso que Heleno de Amadeu e Lito de dona Socorro, tidos como reforços, entrassem na campanha em favor de Ednacé com a mesma determinação, fidelidade, vigor e afinco que trabalharam na campanha de reeleição da ex-prefeita Lourdinha Aragão.
 
Se esses fatos realmente acontecerem, pode ser que o quadro mude.
 
Fonte:Cariri Ligado
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