sábado, 24 de março de 2012

DOIS EXÍMIOS RECENSEADORES - Por Sérgio Bezerra.

Click Monteiro | 12:37 |


Num desses recenseamentos promovido pelo Governo Federal, este que vos escreve e Cristiano Brito, o Tito de Paulo da Farmácia, fomos selecionados pelo IBGE como recenseadores, cuja função era ir de casa em casa contar e qualificar pessoas. Eu fiquei em Boa Esperança, Curupaiti e adjacências, e Tito ficou com a vizinhança. Mas o serviço foi feito em dupla.

Não me recordo qual dos dois teve a brilhante idéia de locar uma moto para facilitar o serviço, mas me lembro bem que Tito até hoje deve o anel de noivado que prometeu à namorada, pois o dinheiro que recebemos só deu para pagar o infeliz do aluguel da moto. No fundo, o serviço só serviu como experiência.


 
Certo dia, quando faltava uma casa para terminarmos o brilhante serviço com a feitura do relatório da área de atuação, e curtindo o sol das 13 horas. A fome apertava mais e mais. Quando nos aproximamos da bendita casa, vimos logo que se tratava de uma costureira, pois tinha uma enxurrada de panos espalhados pelo chão e um pedaço de pau que media um metro.

Chegamos de mansinho e, da porta, falei: “Boa tarde, senhora”.


A mulher nem olhou para trás.


Mas não desisti: “Boa tarde, minha senhora... Minha senhora, boa tarde!”.


E nada. Chamei Tito e disse: “Vem tu, que ela não gostou da minha voz”.


Tito, doido pra terminar o serviço, imediatamente se aproximou, fez uma voz de locutor e, todo importante afirmou: “Boa tarde, minha senhora. Estamos a serviço da nação brasileira”.


A mulher finalmente olhou pra trás e disse: “En-hém, de onde tu viesse?”.


Tito, sem perder a pose: “Viemos fazer algumas perguntas que no futuro vai ser muito útil pra senhora e sua família”.


A mulher, muito aborrecida, disse: “Eu não tenho família, nem quero, que família só serve pra tirar retrato e mais nada. O senhor duvida?”.


Nessa altura, eu já tinha saído de perto e ficado fora da casa, apreciando o colóquio da janela.


Tito, que é daqueles que não deixa o serviço pela metade, continuou: “De jeito nenhum, ilustríssima senhora, mas qual o seu nome?”.


A mulher, agora feroz: “É da sua conta, seu cabra?”.


Tito, ainda seguro de si, olhando para enormidade de panos que tinha na sala da casa, e cumpridor das suas obrigações perguntou: “Mas a senhora costura pra fora, né?”.


A mulher saltou da cadeira, pegou o pedaço de pau que usava para medir, partiu em direção a Tito dizendo: “Me respeite, seu cabra safado! Eu lhe pego seu cabra de peia!”.


Sorte nossa que pela primeira vez durante toda a locação, a moto pegou de primeira enquanto o pedaço de pau passava zoando a poucos centímetros de nossas cabeças 
Fonte:Cariri Ligado
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